Hiperatividade atinge cerca de 6% das crianças brasileiras

Um problema que ainda é desconhecido por boa parte da população, denominado pela medicina como desordem do déficit de atenção, vem crescendo no Brasil: a hiperatividade. E este transtorno atinge todas as classes sociais. Estima-se que o problema já afete cerca de 5% a 6% das crianças e 4% dos adultos. Segundo Jordano Capetti, da Clínica Jordano Capetti, crianças pequenas tendem a demonstrar a hiperatividade de forma mais evidente, já que não conseguem controlar a inquietude motora.

O profissional lembra ainda que a hiperatividade em si nem sempre é doença e que os mesmos sintomas podem ocorrer em diferentes patologias. “Por exemplo, a hiperatividade é um sintoma clássico do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), mas pode ocorrer em outros transtornos, como na ansiedade e no transtorno bipolar”, explica.

Já o neurologista da infância e da juventude do Hospital Albert Einstein Abram Topczewski observa que a hiperatividade pode se caracterizar por estar sempre em movimento em qualquer atividade, seja numa refeição, numa atividade de lazer, na escola. Ela, na maior parte das vezes, prejudica o desempenho adequado da pessoa.

A psicóloga cognitivo-comportamental Maria Teresa Ramos de Souza conta que, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, os sintomas de hiperatividade vão desde agitar as mãos, pés ou se remexer na cadeira frequentemente até falar em demasia. Maria Teresa afirma também que, conforme o DSM-IV, quando a criança apresenta seis ou mais sintomas que persistem pelo período mínimo de seis meses em grau mal adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento elas são identificadas como hiperativas.

Como tratar a hiperatividade no colégio?

Uma questão que vem sendo debatida consiste no fato de as escolas estarem ou não preparadas para receber alunos hiperativos. Na opinião de Jordano Capetti as instituições de ensino não estão preparadas para receber alunos com o transtorno. “Estas crianças precisam de atenção mais individualizada e se saem melhor em grupos pequenos”.

A aula precisa ser mais dinâmica, com intervalos mais frequentes, com participação mais ativa dos alunos e com tarefas que permitam mais mobilidade”, comenta. Ele lembra ainda que os pais sempre serão responsáveis pela melhora da criança através do tratamento. A hiperatividade pode causar dificuldades ao longo da vida. Abrtam Topczewski afirma que existe tratamento e vários medicamentos para corrigir esse comportamento. “Atualmente muitos adultos têm procurado tratamento, pois o quadro interfere negativamente nas suas atividades diárias”, explica.

O transtorno pode ainda gerar problemas de linguagem. A fonoaudióloga Arlete Barth diz que o tratamento fonoaudiológico do TDAH infantil costuma se apoiar em situações estruturadas, tarefas fracionadas, níveis de dificuldade progressivamente elevados e suporte individualizado. Ela ressalta também que a dificuldade existe, mas não acredita ser uma questão de aceitação. “Penso que os pais que ainda não foram orientados e que desconhecem o transtorno têm mais dificuldades em lidar com seu filho.”

Apoio dos pais é muito importante no tratamento do transtorno

O tratamento da hiperatividade conta fundamentalmente com o acompanhamento dos pais. É o que diz a também fonoaudióloga Luciana de Almeida Reis do centrodefonoaudiologia.com. “Os pais são fundamentais para um bom resultado no tratamento. Os exercícios propostos são realizados pelos pacientes, mas os pais podem incentivar”, conta.

Ainda de acordo com a profissional, ultimamente o tratamento de treinamento auditivo para estimular atenção auditiva tem tido ótimos resultados. Luciana de Almeida diz também que é possível perceber muitas mudanças durante o tratamento. “Mas para isso é importante que o paciente não falte e busque um trabalho multidisciplinar. Além de realizar as atividades propostas em casa”, explica.

Conheça os sintomas da hiperatividade

– A criança com frequência abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;

– a criança frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isso é inapropriado (em adolescentes e adultos isso pode não ocorrer, mas a pessoa deixa nos outros uma sensação de constante inquietação);

– a criança com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer;

– a criança está frequentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”.

Por Andréa França do OEstadoRJ

Segue uma resportagem do Globo Reporter que complementa esse post.

This entry was posted on Monday, February 13th, 2012 at 09:30 and is filed under Hiperatividade. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Responses are currently closed, but you can trackback from your own site.

Comentários estão encerrados.